terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Brasil pode ter agência reguladora destinada às energias renováveis

O Brasil pode contar com mais uma agência reguladora, destinada para as energias renováveis. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 495/2009, em tramitação desde novembro, cria a Agência Nacional de Energias Renováveis (Aner), com o objetivo de coordenar o processo de transição do uso intensivo de energias não renováveis para as fontes alternativas. O PLS é de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O texto está em tramitação na Comissão de Infraestrutura, onde aguarda o parecer do relator, o senador Delcídio Amaral (PT-MS). A proposta de Crivella não recebeu emendas e estabelece que a agência será vinculada à Casa Civil, com sede e foro em Brasília, caso seja aprovada. O órgão, segundo Crivella, teria atuação nos moldes da Agência Internacional de Energias Renováveis. Para ler o Projeto de Lei na íntegra, clique aqui. (CanalEnergia - 08.01.2010)


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sujando a matriz elétrica brasileira

- BNDES eleva crédito a energia poluente

Na contramão das medidas propagandeadas pelo governo brasileiro para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o BNDES voltou, em 2009, a financiar usinas "sujas", movidas a gás natural, óleo e carvão. Somente neste ano, segundo levantamento feito pela Folha, a aprovação de financiamento para usinas térmicas foi de R$ 2,6 bilhões, cerca de 58% dos investimentos totais dos projetos, que atingem R$ 4,45 bilhões. O banco informa que R$ 811 milhões para termelétricas já foram desembolsados. Desde 2003, aproximadamente R$ 3,6 bilhões foram contratados, sendo liberados R$ 2,45 bilhões. Os repasses anteriores haviam sido feitos em 2003 e em 2004, ainda como consequência do apagão elétrico de 2001. Nos anos seguintes, as usinas "sujas" não receberam dinheiro do banco de fomento, mas voltaram neste ano a captar os recursos.A assessoria do banco informou que entre 2003 e 2009 o BNDES financiou R$ 41,8 milhões em projetos de geração de energia, sendo que 9% do total foi para termelétricas. "O sistema energético brasileiro precisa contar com termelétricas por questões de segurança de suprimento. Ou seja, para mitigar os riscos de falta de energia em períodos de seca", disse a assessoria. (Folha de São Paulo - 20.12.2009)


- Falta de projetos criou mercado para termelétrica

A falta de projetos hidrelétrico nos leilões de oferta de energia nova no Brasil criou um mercado gigantesco para as termelétricas, que geram energia a partir de gás natural, óleo combustível, óleo diesel e até carvão mineral. O aumento da oferta de crédito para as térmicas ocorre na esteira dessa situação do setor no país. O atual modelo do setor elétrico brasileiro trabalha com a perspectiva de iniciar a contratação de energia cinco anos antes do início do fornecimento. O conjunto das distribuidoras projeta as demandas e vai aos leilões para contratar a oferta. O modelo é eficiente ao dar previsibilidade à carga que terá de ser atendida no futuro, mas torna transparente também o rumo da matriz energética brasileira -hoje migrando de uma base hidráulica (considerada mais limpa) para as térmicas (apontada como mais suja do ponto de vista ambiental). Só com essa primeira etapa concluída, o governo fará o leilão do projeto. Embora tenha feito grande pressão sobre a área ambiental, o MME teve que adiar o leilão do empreendimento para 2010. Se, por um lado, Belo Monte representa um risco ambiental para a região amazônica, por outro, também pode ajudar -se for licenciada- a reduzir a quantidade de projetos termelétricos a gás natural que são habilitados a participar dos leilões. (Folha de São Paulo - 19.12.2009)


domingo, 3 de janeiro de 2010

Economista diz que só taxa sobre CO2 tornará energias renováveis competitivas


Viena, 6 dez (EFE).- Apenas um imposto especial sobre os combustíveis fósseis e o dióxido de carbono (CO2) permitirá que as energias renováveis se tornem plenamente competitivas e ocupem um lugar mais importante na combinação energética para frear a mudança climática.

A opinião é do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o leonês Kandeh Yumkella, que falou à Agência Efe às vésperas da cúpula sobre a mudança climática, que começa esta semana em Copenhague (Dinamarca).

"Devemos começar a aplicar medidas contra a mudança climática agora se quisermos solucionar este problema antes de 2030", disse o economista na sede da Onudi, em Viena.

"Não podemos esperar. A indústria precisa de tempo para se adaptar. Se esperarmos agora, teremos de responder a uma crise", acrescentou.

Segundo Yumkella, o custo das energias renováveis, como a eólica ou a solar, continua sendo muito elevado em comparação com a geração de energia a partir do carvão e dos combustíveis fósseis.

"Precisamos continuar com as atividades de pesquisa e desenvolvimento para reduzir os custos e podermos competir com o petróleo e o carvão", destacou.

O leonês lembrou que alguns países, como a Noruega, aplicam impostos sobre o CO2 como uma compensação à poluição.

"Lá, a indústria se adaptou imediatamente e começou a pesquisar formas de captar o dióxido de carbono", disse Yumkella.

As energias renováveis "são apenas uma solução de longo prazo, já que, até 2050, o mundo provavelmente continuará dependendo do petróleo e do carvão", acrescentou.

"Por isso, a captação e o depósito de carbono é tão importante. As ONGs não gostam (dessa solução) porque ela tira o foco da redução das emissões de gases poluentes. Mas o essencial é que precisamos de combustíveis e tecnologias de transição", disse Yumkella.

Segundo o diretor-geral da Onudi, os líderes em pesquisas sobre as energias renováveis são a China e a União Europeia (UE), que, ao contrário dos Estados Unidos, "dispõem de uma clara política pública para fomentar e criar um mercado para essas tecnologias".

"Conheço banqueiros que investem em energias renováveis devido à clareza dos objetivos da UE", afirmou Yumkella, que também dirige um fórum interdisciplinar da ONU relacionado a energia e desenvolvimento sustentável e vai assessorar o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a Cúpula de Copenhague.

"Infelizmente, os EUA não têm um objetivo claro em nível federal, mas, sim, em nível de estados e municípios", afirmou Yumkella.

"Mas o que é realmente interessante nos EUA são as empresas que veem no setor uma oportunidade de negócio, já que, se não se movimentarem, outros vão desenvolver a tecnologia do futuro e elas ficarão para atrás", explicou.

Segundo o diplomata, a China é o país com mais ativos neste setor, por isso ninguém deveria vê-lo como principal poluidor do planeta, já que o gigante asiático está investindo mais recursos que ninguém nas energias renováveis.

"A China se movimenta porque precisa assegurar suas fontes energéticas. Vemos a mesma coisa na Europa, onde os países se movimentam pela competitividade (econômica)", explicou.

"Estamos vivendo uma revolução da energia limpa, lentamente, no mundo todo, porque todos sabem que, se ficarem para trás, os outros desenvolverão as tecnologias", concluiu Yumkella.

http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5jmcFD8C4yzsQ8QHlioDilYkR2cUg

Aquecimento Global em SC


Foto tirada pelo amigo Ramadan Espíndola em 30/12/2009 no Calçadão de São José.

Mostra que, de fato, o aquecimento global é marcado, entre outras características, pelo aumento da volatilidade das temperaturas. É raro encontrar-se um termômetro marcando 40 graus Celsius em Santa Catarina.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Copenhague e o setor de energia renováveis

A conferência de Copenhague - COP 15, como ficou conhecida - tornou-se um fracasso retumbante segundo a análise de muitos especialistas. No caso do setor de energia elétrica, isso se confirmou. O setor elétrico, na maioria dos países, é o maior responsável pela emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global (CO2, metano, óxido nitroso e clorofluorcarbono). Da eletricidade consumida atualmente no planeta, apenas 7% é gerada a partir de fontes renováveis. Ainda é muito pouco se quisermos salvar o planeta. No caso do Brasil, aproximadamente, 75% da eletricidade é proveniente de fontes renováveis, dada a forte predominância da hidroeletricidade na nossa matriz elétrica. Porém, o planeta é de todos.

Aproximadamente 60% da eletricidade do planeta advém do carvão utilizado nas termelétricas. A queima deste combustível inunda a atmosfera com CO2. E a tendência é o aumento da utilização deste insumo. Na China, por exemplo, que detém as maiores reservas de carvão do planeta, constroem-se 2 novas termelétricas por semana, em média.

Nos EUA, embora o discurso do presidente Obama seja direcionado a maiores investimentos em energias renováveis, a tendência é similar à chinesa. Ou seja, aumento da participação do carvão na matriz elétrica.

Esta tendência justifica-se pelos custos de se obter eletricidade a partir de fontes renováveis. Ainda, dado o elevado volume de eletricidade necessário para manter a produção e a qualidade de vida atuais, a escala de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis ainda não levou a reduções de custos significativas. Por exemplo, 1 MWh obtido a partir de carvão custa metade do obtido a partir de uma usina solar. Claro que com o tempo a tendência á redução desta diferença.

Mas, é justamente isso que explica, dentre outros fatores, o fracasso da COP15. País algum quer reduzir sua tendência de crescimento econômico e ainda não há fontes renováveis suficientes para atender à demanda crescente, especialmente num período pós-crise. Ou seja, ainda é muito caro trocar a matriz elétrica da maior parte dos países. Porém, isso só acontecerá a partir de esforços governamentais conjuntos. Nesse caso, a cooperação internacional é essencial para o planeta. Talvez seja o momento de trocar um pouco de crescimento econômico por um planeta mais limpo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Artigo de Vinícius Freire: "O leilão de vento deu certo"

A energia dos ventos deixou ontem de ser um exotismo marginal na produção de eletricidade no Brasil. O governo contratou em leilão projetos de usinas eólicas com capacidade de gerar 1.805 MW. A energia estará disponível a partir de 2012. Hoje, todas as usinas de eletricidade movidas a vento no país são capazes de produzir cerca de 600 MW. Para começar pelas boas notícias, o preço médio da energia do leilão foi muito competitivo, R$ 148,39 por MWh. Em artigo publicado na Folha de São Paulo, Vinícius Freire argumenta que, apesar de racional e simpático, a adesão aos ventos tem problemas. "Há grande potencial de energia eólica em locais remotos do NE, isolados das redes de transmissão. Custa caro fazer rede de transmissão. (...) Faltam engenheiros e técnicos especializados". Segundo ele, há ainda gente no governo de má vontade com o projeto de eólicas, pois a produção de energia pelos ventos é instável e não pode ser estocada. Mas o pessoal da EPE argumenta que, no caso brasileiro, as eólicas têm um papel complementar importante: venta mais quando chove menos. Para ler o texto na íntegra, clique aqui. (GESEL-IE-UFRJ - 15.12.2009)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para refletir

"Creio que pelo menos alguns economistas que dominam brilhantemente as 'modelagens' matemáticas (se forem um pouco menos cínicos do que o prêmio Nobel Robert Lucas) devem repetir para si mesmos a pergunta que a rainha Elizabeth II fez aos professores da famosa London School of Economics em novembro de 2008: 'Como foi possível que, depois de mais de um século de estudos, os senhores foram incapazes de prever a crise que colocou em risco a economia mundial?' O fracasso da macroeconomia em matéria de 'previsão' é fato passado em julgado. E (com razão ou não) muitos acadêmicos garantem que 'prever' não é obrigação dos economistas e não é a finalidade da teoria econômica 'científica', o que não parece fora de propósito. O fato curioso é que eles mesmos, quando assumem o papel de 'analistas' no mercado financeiro (a serviço de bancos, fundos e 'tutti quanti'), não fazem outra coisa a não ser 'prever', para induzir 'cientificamente' os compradores de seus papéis. Aquela atitude defensiva, entretanto, não poupa a teoria econômica. De um 'cientifismo equivocado' que lhe deu imensa visibilidade e prestígio, há pouco mais de uma década, ela hoje é vista com desconfiança, quando não desmoralizada." (Antonio Delfim Netto. "Para Salvar a Teoria Econômica". Valor Econômico, 1º/12/2009)

Do blog: http://antitruste.blogspot.com/2009/12/modelagens.html. "Algumas coisas, quando ditas com clareza e simplicidade, são avassaladoras. Ainda mais se ditas por pessoas ilustres, como Delfim Netto (e a Rainha Elizabeth, of course)".