segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Projeto PIB

O Projeto Perspectivas do Investimento no Brasil visa a estudar as tendências dos investimentos nos setores da economia brasileira. Abaixo segue o link para o estudo do setor de Energia


http://www.projetopib.org/index.php?p=documentos

Luz para todos? por Delfim Netto

Os argumentos de quem condena o aproveitamento da energia dos rios amazônicos ignoram as reais mudanças que
as hidrelétricas produzem, seja a preservação do meio ambiente, seja o bem-estar da população nas regiões beneficiadas

O Brasil é, seguramente, levando-se em conta as economias que alcançaram um nível importante de desenvolvimento, o País que tem a matriz energética mais “limpa” do planeta. Alcançamos um nível de utilização de 40% de energia renovável, enquanto nos demais países “civilizados” a oferta dessa energia não atinge, em média, 10% do consumo. Talvez muitos brasileiros não se deem conta da importância disso e, mais ainda, da necessidade de continuarmos investindo de maneira correta para ampliar a oferta de energia limpa que vai sustentar o crescimento nos próximos anos.

Sabemos que o aprendizado da Geografia e o estudo da História já tiveram melhor ibope em nossas escolas. É triste ler em publicações estrangeiras dissertações de brasileiros que se apresentam como “ativistas ambientais” condenando o aproveitamento da energia dos rios amazônicos. Usam argumentos que ignoram as reais mudanças que as hidrelétricas produzem, seja para a preservação correta do meio ambiente e mais ainda para o bem-estar e sustento econômico dos habitantes das regiões beneficiadas.
Os segmentos mais lúcidos da sociedade e do governo vêm conseguindo, no entanto, superar as resistências infantis à utilização da energia hídrica e dão suporte à substituição dos combustíveis campeões das emissões de dióxido de carbono. E também no particular, somos o único país importante a agir para criar as condições de redução efetiva dos efeitos dessas emissões.

Isso nos deixa numa situação relativamente confortável nos debates sobre a proteção do meio ambiente, mas é apenas uma parte do problema. A humanidade envolve-se em longas discussões de enorme complexidade que raramente levam ao consenso e que tendem a gerar nas mentes mais generosas e ingênuas a ideia de soluções simples, às vezes radicais e, geralmente, erradas.
Uma disposição mínima para avançar num entendimento permitiria aos países explorar conjuntamente alguns caminhos, como por exemplo: 1. Insistir em investimentos, em escala planetária, no desenvolvimento das tecnologias (na nova revolução industrial em curso) que permitam aumentar a produção de bens e serviços com menos liberação de CO2, na linha do que já acontece quando usamos o etanol em lugar da gasolina. 2. Desenvolver mecanismos capazes de extrair da atmosfera e armazenar o dióxido de carbono. 3. Selecionar os investimentos em pesquisas sérias para tentar conhecer melhor as demais causas e transmitir os ensinamentos de forma a obter a adesão das populações em escala global.

Pode-se dizer que, antes do advento da internet, uma coordenação dessa natureza seria impossível. Já não é. Ela possibilitará, eventualmente, mudar o viés de cinismo dos governos dos países mais desenvolvidos que se comportam (com poucas e honrosas exceções) anunciando a “vontade política” de enfrentar o problema do aquecimento global, mas sempre evitando assumir compromissos antes de cumprirem prazos de carência que variam entre 25 e 50 anos!

A China exige mais 30 anos de desenvolvimento robusto, sem ter de aceitar metas de combater o “efeito estufa” (quer dizer, renunciar em grande parte à utilização da energia fóssil, carvão em primeiro lugar) se isso puder resultar em redução dos níveis de crescimento necessário para absorver as tensões sociais derivadas da crescente urbanização que acompanha o progresso industrial.
Nos Estados Unidos houve avanços desde o fim da “era Bush”, com os programas de Obama de incentivo à pesquisa de processos e à produção de combustíveis alternativos que reduzam a poluição, mas tudo lá anda um tanto emperrado, ainda em função dos embaraços deixados pela crise financeira e, atualmente, em razão da fragilidade política do presidente.
Por sua vez, o Brasil demonstrou ao longo de sua história um comportamento superior ao da maioria dos países em termos de preservação ambiental, em benefício de toda a humanidade. Existem levantamentos recentes que comprovam a superioridade do tratamento do homem brasileiro, relativamente aos demais da espécie universal, na conservação da natureza e isso compreende os biomas mais importantes como o amazônico, o do Cerrado e o Pantanal de Mato Grosso.

fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/luz-para-todos

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Artigo - GESEL

CASTRO, Nivalde José; Klagsbrunn, Victor Hugo. "O Processo de Integração Energética na América Latina - Perspectivas e Desafios Econômicos e Políticos". V Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional - 'O Brasil e o mundo que vem aí' - V CNPEPI. Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Rio de Janeiro, 28-29 de outubro de 2010.

O GESEL, através dos Prof. Nivalde J. de Castro e Victor Hugo Klagsbrunn apresentaram estudo sobre as perspectivas e desafios econômicos e políticos da integração energética na América Latina em evento organizado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil: V Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional - "O Brasil e o mundo que vem aí" - V CNPEPI realizado no Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro nos dias 28 e 29 de outubro de 2010. Para acessar a versão integral do estudo, clique aqui.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Conta Corrente e Poupança Interna

Nesta coluna, Delfim Netto, com muita propriedade, dá uma aula de macroeconomia e história da economia brasileira.

Conta corrente e poupança interna

Para evitar o déficit em conta corrente estimulado pelo próprio crescimento, precisamos de poupança interna maior do que a endogenamente gerada por ele

Estamos hoje numa situação econômica e social muito melhor do que estivemos nestes últimos 30 anos. Os grandes fantasmas que sempre interromperam o nosso desenvolvimento (crise de energia, crise de financiamento do balanço em conta corrente ou, eventualmente, as duas juntas) parecem ter ficado para trás.

A grande crise de 1981/1983, cuja superação custou mais de 4% do PIB (e deixou uma destruição financeira no setor privado e no governo), foi, basicamente, produzida pela falta de suprimento interno de petróleo. Até o início dos anos 80 do século XX, importávamos 82% do petróleo que consumíamos. Com o dramático aumento dos seus preços, o valor das importações do produto cresceu de 600 milhões de dólares, em 1973 (9,8% das exportações), para 9,4 bilhões, em 1980 (46,6% das exportações), sendo responsável por 74% do nosso déficit em contas correntes desse ano. Esses fatos levaram a uma acumulação da dívida externa líquida (dívida total menos as reservas), que passou de 8,5 bilhões de dólares, em 1973, para 57,3 bilhões, em 1980.

Com o ajuste Volker nos EUA, em 1979, as facilidades de seu financiamento terminaram. Ele feriu de morte a ciranda que os petrodólares tornaram possível. Com ela, todos os países não produtores de petróleo contemporizavam seus déficits em conta corrente. O Brasil quebrou em 1981, mas não sozinho! Todo o mundo emergente sofreu o mesmo destino, inclusive os satélites da velha URSS, o que, aliás, marcou o começo do seu fim. Alguns analistas mal informados continuam a acreditar que foi o crescimento do Brasil em 1980 (9,2%) que produziu nossa crise. De fato, em 1979, o Brasil e o mundo começaram a cair em pedaços. Nem mesmo a conta dos juros das dívidas era financiável! O crescimento do PIB daqueles anos não exerceu qualquer papel, na margem, sobre as consequências dramáticas produzidas pelas contas externas. Isso mostra o quanto estão errados os economistas que continuam a sugerir que, se crescêssemos apenas 4% em 1979/1980 (crescemos 8%) para enfrentar a crise, ela não ocorreria: para eles, o Brasil era o peru que deveria ter morrido na véspera…

Nossa experiência não termina aí. Quebramos também no Plano Cruzado. Na octaetéride fernandista, acumulamos um déficit de 186 bilhões de dólares em conta corrente e quebramos mais duas vezes (1998 e 2002), a despeito das privatizações feitas às pressas para financiá-lo.

A partir de 2003, a situação mudou radicalmente, graças à rápida expansão da economia mundial, particularmente a chinesa, o que elevou a quantidade e os preços de nossas exportações, mas não a sua participação no total mundial. Em 1980/1984, ela era a mesma de hoje: 1,3%. A exportação chinesa, que em 1980/1984 era também de 1,3%, é hoje da ordem de 10%! Na verdade, por maiores que tenham sido os truques semânticos dos últimos governos, não se faz qualquer esforço exportador desde 1984. Pelo contrário, repetindo 1974 a 1978, sempre temos usado a taxa cambial como um instrumento oportunístico para combater a inflação.

Voltamos agora a acumular déficits em conta corrente, confiados em uma reserva cambial de 250 bilhões de dólares (em larga medida produzida por um diferencial de taxa de juros e, obviamente, insustentável) e na grave ilusão de que sendo o câmbio flexível, ele se ajustará calmamente. Todos sabemos que, se e quando, as expectativas se modificarem por qualquer motivo, o ajuste cambial será dramático e destruirá (mais uma vez) as finanças do governo e do setor privado. Isso está inscrito no fato saudado com alegria pelo nosso setor financeiro: “Os contratos de câmbio envolvendo o real em todo o mundo alcançaram 28 bilhões de dólares por dia em abril deste ano” (BIS, Trienial Central Bank Survey, Sept. 2010).

É preciso abandonar a discussão ingênua em torno das famosas identidades da contabilidade nacional (a única coisa realmente certa na teoria econômica). O déficit em conta corrente é mesmo apenas a diferença entre o nível do investimento e a da poupança interna, mas o que importa é a dis-cussão das variáveis cujo comportamento produz aquela identidade. Para garantir o crescimento precisamos do investimento. Para evitar o déficit em conta corrente estimulado pelo próprio crescimento, precisamos de poupança interna maior do que a endogenamente gerada por ele. Precisamos, mesmo, é de um bom sistema de poupança estável que permita o financiamento de longo prazo e de uma discussão sobre o papel do BNDES, como está sendo proposto agora pelo ministro Guido Mantega.

sábado, 18 de setembro de 2010

Desafios do setor energético para o futuro

O principal desafio do setor energético é expandir a oferta de energia e sujeito às restrições - políticas, econômicas e sociais - impostas pela necessidade de mitigar o aquecimento global.
Logo, o foco é:

- Priorizar setores com menor intensidade energética;
- Promover eficiência energética; e
- Difundir maior utilização de fontes de energias renováveis.

domingo, 5 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010