quinta-feira, 4 de março de 2010

Smart Grid

Custo de Belo Monte

RIO - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, confirmou que as novas exigências feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na licença prévia para a hidrelétrica de Belo Monte levaram a um aumento das expectativas de custos do empreendimento.

Tolmasquim confirmou a entrega de novo estudo ao Tribunal de Contas da União (TCU) com as estimativas de custos e preço máximo da energia, mas não revelou se o valor da usina se aproximou de R$ 20 bilhões, contra os R$ 16 bilhões inicialmente projetados.

"Eu não posso falar de valor. Entregamos ontem, mas o valor eu não posso dizer qual é", disse Tolmasquim, que participou do seminário "O setor energético e a transição para a economia de baixo carbono", organizado pela Funbio. "O valor é diferente, é superior, pelas atividades extras que não estavam previstas antes", acrescentou.

O executivo também confirmou que, uma vez conseguidas as licenças prévias para as hidrelétricas previstas, os leilões de A-5 deste ano poderão ser dominados por energias renováveis. Tolmasquim negou que isso signifique o fim da participação das termelétricas nos pregões, mas mostrou otimismo em relação às possibilidades das fontes hídricas.

"Daqui por diante o planejamento vai tentar maximizar a entrada de renováveis. Mas vai depender também do que vamos conseguir de licença para as hídricas. Se conseguirmos licença para tudo o que planejamos, provavelmente vamos ficar só com hidrelétricas e fontes alternativas", frisou.

Segundo ele, para este ano estão previstas, além de Belo Monte, a participação de cinco usinas hidrelétricas no leilão de A-5 do primeiro semestre e de mais cinco hídricas no leilão de A-5 do segundo semestre. Juntas, as usinas previstas contam - incluindo Belo Monte, que deve ser licitada em abril - com capacidade instalada de 16 mil MW.

Tolmasquim ainda considerou positivo o movimento de consolidação do setor energético que, segundo ele, pode dar às empresas de distribuição maior capacidade de investimento.







quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PIGS - contribuição de Pedro Paulo Bramont

O fantasma da crise - que não tinha ido embora de vez - reaparece revigorado!
As finanças dos países PIGS - sigla em inglês para Portugal, Itália, Grécia e Spain - estão em má situação.
Caso não haja uma grande ($$$$$) ajuda coordenada da UE e/ou FMI todo o mundo financeiro será - de novo - contaminado.
E o Brasil com isso?
Brasil faz parte do mundo financeiro e será afetado.
Falando em Brasil: continuamos com sérios pontos fracos: dívida pública em crescimento e piora em seu perfil, previdência social em déficit, custo Brasil alto etc etc etc.
E uma Copa do Mundo e eleições em outubro para distrair o povo!
Por falar em "distrair o povo": alguém aí acha que o nível de emprego está bom?
Concursos públicos aqui em Floripa (salários na faixa de mil reais) com mais de 100 candidatos/vaga: isso lhe diz alguma coisa?
E esse crédito fácil: os consumidores vão conseguir honrar seus compromissos?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Energia eólica no mercado livre

De acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, já está confirmado um novo leilão de energia de reserva para este ano no qual poderão ser comercializados energia da biomassa, PCHs e também de origem eólica. O que animou o governo foi o sucesso do leilão do ano passado em que se comercializou 1.800 MW de capacidade instalada de energia eólica. Tolmasquim diz que o plano decenal de energia deverá trazer um projeto com uma boa quantidade anual de energia alternativa. A venda de energia eólica no mercado livre se tornou possível depois que o primeiro leilão do governo estabeleceu um patamar de preço para esse tipo de energia e que se mostrou competitivo com outros tipos de energia incentivada. (Valor Econômico – 19.02.2010)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Calor recorde

O calor, principalmente nas regiões sul e sudeste, levou o país a bater pelo quarto dia consecutivo o recorde de consumo de eletricidade. Ainda bem que os reservatórios estão bem cheios.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Calor em demasia no país todo leva a aumento do consumo de eletricidade

Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), 02/fevereiro/2010 foi o dia com maior demanda por eletricidade no país. O valor foi 68 GWh. Assim, o ONS recomenda que termelétricas sejam ligadas para complementar a oferta. E não é por falta de água nos reservatórios, como mostra o gráfico abaixo. O aumento da carga deveu-se ao aumento da atividade industrial - a economia se recuperando - e ao forte calor, especialmente nas regiões sul e sudeste.


Esse

domingo, 31 de janeiro de 2010

Megaempresa do setor elétrico

Da Folha de SP, de 31/01/2009.

Mostra a tendência à formação de grandes grupos no setor elétrico. Corroborando a ideia que a competição já não é mais o objetivo central do modelo do setor.

"Superelétrica" terá mais de um terço do mercado brasileiro

Com apoio do Planalto, Camargo Corrêa pretende comprar o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia

Governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES como o principal financiador dessas operações no país

LEONARDO SOUZA
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A empreiteira Camargo Corrêa recebeu o aval do Palácio do Planalto para constituir uma superelétrica na área de distribuição de energia.
A construtora assumiu no ano passado o comando da CPFL e conta agora com o apoio do governo para comprar o controle da Eletropaulo e da AES Sul, além de adquirir da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e do BB a sua participação no grupo Neoenergia.
Se concretizadas as duas operações, a empreiteira terá nas mãos uma gigante que abastecerá mais de um terço do mercado nacional, incluindo praticamente todo o Estado de São Paulo -o mais rico do país- e três Estados do Nordeste, região atualmente com o maior potencial de crescimento.
Segundo pessoas próximas às transações ouvidas pela Folha, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, abriu negociação com a Camargo Corrêa por interferência direta do Planalto.
Como a Previ possui participação relevante tanto na CPFL (31% das ações ordinárias, sendo 23% delas ligadas ao bloco de controle) quanto na Neoenergia (49% do capital total), há conflito de interesses.
Hoje os representantes da Previ precisam sair das salas de decisões da CPFL quando são discutidos detalhes sobre as negociações em curso para aquisições de outras distribuidoras de energia.
A fusão com a CPFL resolveria o conflito, porém a Previ passaria a ser minoritária na nova empresa, perdendo a gestão da Neoenergia. Marcelo Corrêa, atual presidente do grupo, é indicação do fundo de pensão do BB.

Grupos nacionais
Não é a primeira vez que o governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como o principal financiador dessas operações.
Entre 2008 e 2009, o banco estatal injetou quase R$ 7 bilhões para viabilizar a incorporação da Brasil Telecom pela Oi. Em 2007, o BNDES comprou cerca de R$ 4 bilhões em ações (a valores de 2009) dos frigoríficos JBS e Bertin, o que possibilitou a fusão dos dois grupos no ano passado.
No caso da BrT-Oi, o presidente Lula ainda teve que editar um decreto sob medida para permitir a união das duas empresas.
O setor elétrico está na esfera de influência direta da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata à sucessão presidencial. Ela comandou a pasta de Minas e Energia no primeiro mandato do presidente Lula. Todos os grandes temas da área passam por sua mesa.

Concentração
A formação da superelétrica não enfrentará impedimento legal. Em 2008, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) derrubou a última barreira regulatória contra concentrações no setor. A operação, contudo, teria de passar também pelos órgãos brasileiros de defesa da concorrência.
Até então, a legislação limitava a participação dos investidores nas concessionárias da seguinte forma: até 20% no mercado nacional e até 25% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste a limitação era de 35%.
Segundo Jerson Kelmann, ex-diretor-geral da Aneel, a resolução 299, de 8 de janeiro daquele ano, extinguiu os tetos existentes.
As negociações para a fusão com a Neoenergia estão bem avançadas. O outro sócio da empresa, a espanhola Iberdrola, sofreu bastante com a crise financeira internacional e está bastante descapitalizado. Assim, dificilmente teria condições e interesse em comprar as participações da Previ e do Banco do Brasil.
No caso da Eletropaulo e da AES Sul, entretanto, a Camargo Corrêa ainda precisa superar alguns obstáculos.
As duas distribuidoras estão sob o guarda-chuva da empresa AES Brasiliana, que existe só no papel. O BNDES tem 53,85% dessa empresa, mas a operação das duas concessionárias (e também da geradora AES Tietê) é da americana AES.
Para vender sua participação na Brasiliana, o BNDES contratou o Citibank para elaborar a modelagem da operação. Pela legislação atual, o BNDES não pode negociar diretamente com nenhuma companhia interessada. A oferta das ações tem que ser feita em leilão.
Além disso, a AES tem direito de preferência na parte do banco e, neste momento, está capitalizada -a matriz recebeu uma injeção de US$ 2 bilhões do fundo soberano chinês, que adquiriu 15% da AES Corp.
Com o apoio do governo, contudo, a Camargo Corrêa espera entrar num acordo com os norte-americanos para que eles aceitem ceder o controle das duas distribuidoras. No passado, a AES chegou a anunciar que tinha a intenção de sair do país. Mas agora o discurso da empresa é o de permanecer ou mesmo de aumentar a sua presença no Brasil.
O interesse da Camargo se concentra na distribuição. No caso de uma união entre CPFL, Eletropaulo e Neoenergia, a maior sinergia estaria na ligação entre as duas primeiras, principalmente devido à proximidade geográfica, o que facilitaria o deslocamento de equipes para a manutenção das redes, por exemplo.
A CPFL está presente na grande maioria dos municípios do interior paulista. Já a Eletropaulo congrega a região metropolitana.